BioTerra

domingo, 19 de abril de 2009

Universidade de Coimbra adverte para efeitos electromagnéticos do telemóvel no Homem

Utilizadores preocupam-se mais com estética de telemóveis do que com níveis de radiação.

A maioria dos utilizadores de telemóvel desconhece os níveis de radiação do seu aparelho, preocupando-se mais com questões estéticas ou tecnológicas quando tem de escolher um modelo, alertou o especialista Santos Rosa. O professor catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (UC) adverte que o utilizador comum ainda não se consciencializou com a problemática das radiações electromagnéticas e dos seus efeitos na saúde humana.

"As pessoas compram os telemóveis por serem bonitos, por terem ou não 3G, porque têm uma câmara melhor, têm ou não mp3 e nunca vêem o SAR",(Specific Absorption Rate, em português Taxa de Absorção Específica, a quantidade de energia que o corpo absorve quando se está ao telemóvel).




"No outro dia, tinha 200 alunos à minha frente e acho que só três viam o SAR", referiu. Na Europa, o limite de SAR estipulado é de 2,0 watts por quilograma, calculados sobre dez gramas de tecido corporal, o mesmo que em Portugal.

Santos Rosa diz que este é o "chamado limite prudente perante as condições práticas que existem", nomeadamente a falta de consenso na comunidade científica sobre os efeitos das radiações electromagnéticas na saúde humana, "mas não é seguramente o limite que biologicamente devêssemos querer". O valor de SAR varia consoante o modelo de telemóvel, se o utilizador está numa zona de boa ou má cobertura e, inclusive, um mesmo modelo pode ter níveis diferentes de radiação.

"Basta haver uma ligeira alteração no material em que é feito o telemóvel, como a capa, para alterar o valor de energia que a cabeça vai absorver", refere Daniel Sebastião, investigador do Instituto das Telecomunicações (IT).

Radiação electromagnética

Para Santos Rosa, a radiação electromagnética "pode até ser inócua", mas trata-se de algo "que não é natural", pelo que recomenda "bastante cuidado, tendo em conta que um ambiente artificial pode ter consequências que se desconhecem".

A alerta é mais perigosa quando estão em causa crianças, aconselhando a moderação no uso do telemóvel "porque a parte cerebral e as defesas imunitárias ainda estão a desenvolver-se".

Segundo Daniel Sebastião o limite de SAR foi estipulado para não se chegar ao "efeito térmico", em que as radiações, "ao atingirem os tecidos, provocam um aumento de temperatura".

"Se [o efeito térmico] for muito elevado pode provocar danos na saúde" e é nisso que os limites estão baseados, explicou. Daniel Sebastião recorda no entanto que ainda não foi provado que abaixo do limiar térmico não haja efeitos na saúde, mas os estudos realizados "mostram que se os limites forem cumpridos, em princípio não haverá problema". O mesmo especialista diz ser "mais ou menos consensual que as exposições até dez anos, em princípio, não provocarão cancro", mas lembra que acima deste período "ainda não existem resultados fiáveis porque há muito poucas pessoas que utilizam o telemóvel há mais de uma década".


Reflexão:

Neste texto são abordados dois assuntos. A questão da importância relativa que as pessoas atribuem à componente estética e à emissão de radiação electromagnética de um telemóvel e os níveis seguros de emissão/absorção de radiação.
Quanto ao primeiro aspecto, não me surpreende. Pensar dá trabalho e na maioria dos casos os aspectos estéticos são sempre valorizados em detrimento da segurança ou, noutro contexto, do real valor e importância de algo.
Quanto aos níveis de segurança de exposição, parece-me que a estratégia de definição dos níveis de exposição, como em muitos outros aspectos, não é conclusiva porque depende do tempo desde do qual se utiliza o telemóvel, mas espero que não se assista a um caso semelhante ao que ocorreu com a descoberta dos malefícios do tabaco, que só passados vários anos é que se conhecer as verdadeiras consequências.
Assim, com esta postagem pretendo alertar o leitor para os parâmetros que deve ter em conta na escolha de um telemóvel e só espero que não venhamos a saber na "pele" que afinal os telemóveis sempre tinham o seu lado negro da moeda e não apenas o lado bom que nos vendem, estético, cómodo, e de estarmos contactáveis em qualquer local.
Fontes:
http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=30629&op=all

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